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    Blog do BIDU - por Abdoral Cardoso


    Preconceito e omissão dizimam índios Cinta Larga na divisa de Rondônia com o Mato Grosso

    Preconceito e omissão dizimam índios Cinta Larga na divisa de Rondônia com o Mato Grosso


    Escritor relata que dos 5.000 contatados, apenas 1.200 sobreviveram às piores formas de violência.


    Líder indígena Marcelo Cinta LargaOs números são divergentes. Mas não mentem. Na contagem do Ministério Público Federal em Rondônia os índios Cinta Larga não passam de 2.000 sobreviventes. Já o escritor Edilson de Medeiros registra no livro “Rondônia Terra dos Karipunas”, editado em 1990, que dos 5.000 contatados, apenas 1.200 haviam sobrevivido às piores formas de violência.

    Acusados de violentos e terem enriquecido com a exploração ilegal de madeira e diamante em suas terras, vivem e morrem na miséria esquecidos inclusive pela mídia. O preconceito e a omissão oficial dos não-índios incentiva os mais jovens a abandonarem as aldeias em busca de oportunidades e de estudo na cidade. Quem fica não tem mais comida e começa a morrer a partir dos 35 anos. Os sobreviventes podem ser bem menos.

    Esquecidos também pelos órgãos federais, gestores das políticas de atenção à saúde e educação, eles lutam para não ser dizimados pela pior forma de violência do mundo civilizado: o preconceito e a omissão.São obrigados a enfrentar ainda o estigma de que o povo Cinta Larga é rico, violento e não gosta de trabalhar.

    Um grupo liderado por Marcelo Cinta Larga engrossou o coro da plateia qualificada da audiência pública do último dia 23 de setembro, coordenada pelo MPF, na sede da Seccional Rondônia da OAB.O grupo não pediu muito. Reivindicou apenas direitos básicos como acesso à saúde e educação,  e apoio das “autoridades” para poder produzir em suas próprias terras o sustento das famílias. Quem assistiu saiu do auditório com uma certeza: é preciso ajudar a salvar de alguma forma esse povo. Remanescentes das aldeias localizadas na região Sul de Rondônia e Noroeste do Mato Grosso, com grande parte da cobertura florestal e solo em processo de degradação por causa da exploração ilegal de madeira e diamantes em suas terras, os índios denunciaram na audiência a situação de miséria em que vivem.

    Os relatos levaram inclusive o procurador federal, Reginaldo Trindade, a defender a imediata paralisação das atividades de extração de diamantes na chamada reserva dos Cinta Larga. Atividades de garimpagem de não-índios, iniciadas há 13 anos, e que terminaram atraindo também índios, num aparente cenário onde saltam aos olhos casos de prostituição e alcoolismo.Situação de abandono e processo de desaculturamento atualmente em vigor na maioria das aldeias, onde é  alto também o índice de crianças que sai da reserva para estudar nas escolas das cidades mais próximas. Sem assistência à saúde, os índios denunciaram o aumento dos casos de mortes de várias lideranças ainda jovens, por falta de tratamento.

    A maioria vítima de tuberculose.Já a garimpagem de diamantes em suas terras, segundo ainda o procurador, agravou o preconceito contra so nativos, principalmente após o assassinato de um grupo de garimpeiros em suas terras.Chegam a ser discriminados pelo próprio movimento indígena e vítimas do pior tipo de discriminação: “o veneno da omissão”. Inaceitável, de acordo com Reginaldo Trindade, ao explicar que cerca de 30 voluntários do “Grupo Clamor”, um movimento apartidário e integrado por amigos e simpatizante da causa dos índios Cinta Larga, que começa uma campanha de mobilização para combater as cuasas da dizimação da etnia.

    Por isso, índios com a inteligência de Marcelo e Diego Cinta Larga não podem jamais serem discriminados. O primeiro ao admitir em tom de apelo que: “precisamos de educação para compreender o pensamento dos não-indios, podermos  entender e sabermos se estamos fazendo certo ou errado”. O outro ao revelar que a maior parte das mortes na reserva é por causa da tuberculose e são registrados apenas alguns casos de câncer. Juntos cobraram solução para a falta de assistência à saúde, único meio de evitar a morte todos os anos de três a quatro Cinta Larga, com mais de 35 anos, enquanto nas aldeias de outras etnias poucos são os registros de mortes. “Esta semana começou muito triste para nós, pois perdemos mais uma liderança”, disse Marcelo.


    Por Abdoral Cardoso



    Escrito por Bidu às 04h43
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